Como exercer a parentalidade partilhada com o ex-cônjuge
Guia prático para manter uma relação saudável com o ex-cônjuge no interesse dos filhos.
- Estabelecer limites claros e respeitosos. Definam desde o início que tipo de comunicação vão ter e sobre que temas. Concentrem-se apenas em assuntos relacionados com os filhos: escola, saúde, atividades e calendário de visitas. Evitem discutir a vossa relação passada ou questões pessoais. Escolham um meio de comunicação principal - seja por mensagem, email ou chamada - e mantenham-se profissionais. Se as conversas se tornarem tensas, façam uma pausa e retomem mais tarde.
- Criar rotinas consistentes entre as duas casas. As crianças sentem-se mais seguras quando sabem o que esperar. Conversem sobre regras básicas que podem manter em ambas as casas: horários de deitar, tempo de ecrãs, tarefas adequadas à idade. Não precisam de ser idênticas, mas devem ser coerentes nos aspetos fundamentais. Partilhem informações sobre a rotina das crianças - se dormiu mal, se tem trabalhos de casa, se aconteceu algo importante. Esta continuidade ajuda os filhos a adaptarem-se melhor à vida em duas casas.
- Gerir as emoções e conflitos. É normal sentirem frustração, tristeza ou irritação um com o outro. O importante é não envolver os filhos nesses sentimentos. Nunca falem mal do outro progenitor à frente das crianças, mesmo que estejam chateados. Se precisarem de desabafar, façam-no com amigos, família ou um profissional. Quando surgirem desentendimentos - e vão surgir - tentem resolvê-los longe das crianças. Se não conseguirem chegar a acordo, procurem ajuda de um mediador familiar.
- Comunicar de forma eficaz. Usem uma linguagem neutra e focada nos factos. Em vez de 'Tu nunca...' ou 'Tu sempre...', digam 'Preciso que...' ou 'Seria útil se...'. Sejam específicos: em vez de 'Ele está mal comportado', digam 'Ele teve dificuldade em fazer os trabalhos de casa ontem'. Respondam às mensagens num prazo razoável, especialmente se for sobre algo urgente. Se estão muito irritados, esperem antes de responder - as palavras ditas na raiva podem causar danos duradouros.
- Apoiar os filhos durante a transição. Digam aos vossos filhos que está tudo bem sentirem-se tristes, confusos ou zangados. Validem os seus sentimentos sem tentar 'resolver' tudo imediatamente. Mantenham uma atitude positiva sobre o tempo que passam com o outro progenitor: 'Que bom que vais estar com o papá/mamã este fim de semana'. Permitam que tenham objetos especiais que viajam entre as casas - um peluche, um livro favorito. Estas pequenas coisas dão-lhes sensação de continuidade e segurança.
- Tomar decisões importantes em conjunto. Questões sobre saúde, educação e atividades extracurriculares devem ser decididas pelos dois pais sempre que possível. Partilhem informações importantes: reuniões de pais, consultas médicas, eventos escolares. Se um de vocês não puder estar presente, informem o outro sobre o que foi discutido. Respeitem as decisões tomadas em conjunto, mesmo que individualmente preferissem outra opção. Esta consistência mostra aos filhos que, apesar da separação, continuam a ser uma equipa parental.